08 março 2011

Media: Bombas da ETA de Óbidos destinadas a explodir as Torres Kio de Madrid
(Publico.pt) A tonelada de explosivos da ETA que as autoridades policiais portuguesas encontraram em 4 de Fevereiro do ano passado numa vivenda da localidade de Casal de Avarela, nos arredores de Óbidos, tinha um destino marcado. Segundo revelaram à polícia os integrantes do “comando Otazua”, desarticulado na passada semana em Bilbao pela “Guardia Civil”, aquele material explosivo ia ser utilizada num atentado contra as torres Kio da capital espanhola.

Estas duas edificações, implantadas na “Plaza de Castilla” da cidade, são das mais emblemáticas da urbe e facilmente reconhecíveis pela sua estrutura de metal e vidro negro e, sobretudo, pela sua forte inclinação. Daí serem conhecidas popularmente como as torres inclinadas. Para levar a cabo o atentado, os etarras utilizariam o furgão “Iveco” de matrícula francesa apreendido em Espanha, a 9 de Janeiro de 2010, na localidade de Bermillo de Sayago, na região de Zamora e na raia com Portugal. O condutor deste veículo, Garkoitz Arieta, e Yañez Ortiz de Bayon, tripulante do carro de escolta, uma carrinha “Opel Astra”, deram-se à fuga em direcção ao nosso país onde acabaram por ser detidos por agentes da GNR após uma troca de tiros. Foi no perímetro urbano de Torre de Moncorvo, já a 40 quilómetros da fronteira.

No interior do “Iveco”, alugado no norte de França em 7 de Janeiro por Mikel Carrera, aliás “Ata”, então chefe dos comandos, seguia com rumo à base logística do Casal de Avarela, um verdadeiro arsenal: dez quilos de pentrita, substância utilizada para potenciar deflagrações, 50 relógios electrónicos que podiam funcionar como temporizadores para 50 bombas, e outros 25 temporizadores já montados. Deste rol constavam, ainda, 30 sensores de movimento para bombas lapa, que se colocam sob veículos e explodem com o seu andamento, e ampolas de mercúrio e de nitrato de prata. Foram então encontrados 200 circuitos eléctricos, duas centenas de conectores e 100 pilhas. No furgão estavam ainda três botijas de gás vazias que os etarras aproveitam para construir bombas de grande potência, serrando a parte superior do recipiente que depois carregam com explosivos. Só com este material, a ETA podia construir 75 engenhos e 30 bombas lapas. Recorda-se que na vivenda do Casal de Avarela, um verdadeiro laboratório, foram apreendidos cerca de mil quilos de explosivos. Estas instalações eram ocupadas por Oeir Melgo e Andoni Zengotitabengoa. Este último viria a ser detido pelas autoridades portuguesas na noite de 11 de Março do ano passado no aeroporto da Portela, em Lisboa, quando se preparava para tomar o voo da TAP rumo a Caracas, na Venezuela.

Atentado marcado para 14 de Janeiro
O atentado às torres Kio ia ser cometido pelo comando Otazua em 14 de Janeiro de 2010. No entanto, na madrugada de 10 de Janeiro, escassas horas depois da apreensão do furgão e da detenção em Portugal de Arieta e de Ortiz de Bayon, os membros do comando receberam uma chamada telefónica de “Ata” anulando o atentado e a sua viagem ao nosso país, onde receberiam o furgão “Iveco” já preparado como carro-bomba. A sua função seria estacioná-lo nos parques subterrâneos das torres “Kio” e proceder à deflagração. Um outro veículo, também utilizado pelo comando, seria feito explodir junto ao bairro popular de El Pilar, nas proximidades da Plaza de Castilla, para lançar a confusão e permitir a fuga.

Contudo, com este atentado não terminava a missão do comando. No furgão interceptado junto à fronteira portuguesa foi apreendida uma espingarda de precisão russa Mosjan Nagant, com mira telescópica. Nos últimos anos, foram encontradas na posse da ETA três armas deste tipo, utilizadas pelos atiradores de elite do Exército Vermelho na Segunda Guerra Mundial. O alvo, segundo agora foi revelado, era Patxi López, o socialista presidente do Governo autónomo basco e o atentado deveria ocorrer em Junho do ano passado. Com o assassinato de López, os etarras queriam obrigar as autoridades espanholas a negociar o fim da ilegalização de Batasuna, considerado o seu braço político.

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