10 fevereiro 2011

Media: Nuvem de poluição envolve Madrid
(Público.pt) A cidade de Madrid está a enfrentar uma persistente nuvem de poluição provocada pelos automóveis e potenciada pelas condições meteorológicas. Um apelo das autoridades para que as cidadãos deixem os seus carros em casa não está, porém, a resultar.
Sem vento e com um anticiclone a funcionar como um chapéu sobre a cidade, Madrid está há cerca de uma semana coberta por uma camada de poluentes, que teimam em não dispersar. Situação semelhante foi verificada, também, em Barcelona.

Os principais poluentes são o óxido de azoto e as partículas, expelidos sobretudo pelos escapes dos automóveis, mas também pelas chaminés das indústrias. As autoridades locais sustentam que os níveis de alerta não estão a ser superados. Mas, ainda assim, começaram ontem a difundir um pedido à população para evitar o uso do automóvel e recorrer ao transporte colectivo.

Nos painéis informativos da M-30, uma via de circunvalação de Madrid, os avisos começaram a ser difundidos às 17h40 de ontem. Em Barcelona, a velocidade máxima nos acessos à cidade foi reduzida, temporariamente, para 80 quilómetros por hora.

Na capital espanhola, os alertas não estão a resultar. Dados divulgados esta manhã pelo edição online do jornal El Pais indicam que o tráfego na M-30 – por onde passam 180.000 carros por dia – caiu apenas 0,23 por cento.

De acordo com o sistema de controlo da qualidade do ar de Madrid, o nível de alerta é atingido quando todas as estações de uma determinada zona da cidade superam 400 microgramas de dióxido de azoto (NO2) por metro cúbico de ar, durante três horas consecutivas.

A organização não-governamental espanhola Ecologistas em Acção considera, porém, os limites fixados pelas autoridades como “extremamente laxistas e tolerantes”. “Isto significa que, enquanto se superam os limites legais legais de contaminação, estes níveis auto-declarados pelo governo municipal nunca se atingem”, justifica o comunicado.

Por lei, em cada estação de medição da qualidade do ar, a concentração horária de NO2 registada não pode ultrapassar 200 microgramas por metro cúbico mais de 18 vezes por ano. “Dá-se o paradoxo de que, em Madrid, há estações que superaram o valor legal para todo um ano, sem que se tenha sequer alcançado o nível de aviso municipal”, diz o comunidado.

A situação de poluição deverá manter-se por mais alguns dias, até que as condições meteorológicas permitam a sua dispersão.

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